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segunda-feira, 8 de dezembro de 2008


Consultas de apoio a pessoas idosas que se julguem vítimas de maus tratos e de negligência.

Nas sociedades actuais verifica-se um acentuado envelhecimento da população resultante da diminuição da natalidade e do aumento da esperança média de vida. Este fenómeno, aliado a uma idade de reforma tendencialmente mais tardia, tem vindo a conduzir alterações no papel/estatuto da pessoa idosa, que originam novos desafios sociais. Neste contexto, o fenómeno do abuso apresenta uma importância impossível de ser negligenciada pelas sociedades contemporâneas. Uma definição possível de abuso contra as pessoas idosas poderá resumir-se a qualquer acto, voluntário ou involuntário, que provoque dor ou sofrimento na pessoa idosa, ou que atente contra o seu bem-estar, violando os seus direitos enquanto ser humano. Este pode ser infligido pelos seus cuidadores, familiares, profissionais de instituições ou mesmo por estranhos. Segundo o National Center on Elder Abuse (EUA, 1998), a população idosa pode sofrer os seguintes tipos de abuso: emocional ou psicológico, físico, sexual, exploração material ou financeira, abandono, negligência e auto-negligência.

O abuso contra idosos é uma das problemáticas menos visíveis, sendo, porventura, um dos fenómenos que mais pessoas e recursos envolve, devido às consequências que apresenta. Em 2002, a Organização Mundial de Saúde alertou para o facto de que cerca de 4-6% dos idosos que vivem em casa são vítimas de abuso (WHO, 2002). Em Portugal poucas investigações têm sido realizadas. Porém, num estudo preliminar realizado na cidade de Braga, 73% dos participantes idosos da amostra, apresentavam pelo menos um indicador de abuso (Ferreira-Alves & Sousa, 2006). A Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) refere que, nos últimos anos, tem havido um aumento substancial do número de denúncias por parte das pessoas idosas vítimas de crime, sendo os maus-tratos psíquicos uma das queixas mais frequentes. Só no primeiro semestre do presente ano recorreram à APAV trezentas e oito pessoas idosas vítimas de violência.

Pelo facto do abuso contra pessoas idosas ser um assunto sub-referenciado, em particular pelas próprias vítimas, que temem as consequências da sua denúncia, estima-se que os dados disponíveis sejam apenas a ponta do iceberg. É, contudo, necessário que se preste atenção a alguns dos factores que podem aumentar a probabilidade de ocorrência de abuso e a possibilidade de o detectarmos. São eles: o isolamento social, a dependência (entre agressores e vítimas), o stress do cuidador, a presença de psicopatologia e alguns factores de personalidade, o consumo de substâncias, a transmissão intergeracional de violência, os estereótipos em relação ao envelhecimento e o ambiente sociocultural.

Com vista à redução das consequências deste fenómeno aos níveis social e de saúde pública, existem no nosso país algumas respostas por parte de alguns organismos. De destacar o contributo do Programa Apoio 65 e das Equipas de Proximidade e de Apoio à Vítima (EPAV) desenvolvidos pela PSP, do NMUME (Núcleo da Mulher e do Menor, promovido pela GNR), da Linha do Cidadão Idoso (800203531), da Linha Nacional de Emergência Social (144), da Segurança Social e da APAV. De acordo com o Prof. Ferreira-Alves, representante português da INPEA (International Network for the Prevention of Elder Abuse), e coordenador do Grupo de Estudos e Avaliação das Pessoas Idosas Vítimas de Maus Tratos (GEAVI) estão a ser realizados esforços no sentido de se criarem unidades de consulta psicológica especificamente dirigidas a pessoas idosas vítimas de maus-tratos. Este trabalho procura envolver uma vasta equipa de profissionais, não tendo a pretensão de se sobrepor ao trabalho pioneiro desenvolvido pela APAV, ou outras instituições mas, pelo contrário, complementá-lo e acentuar a vertente da investigação e da formação específica de profissionais para este tipo de atendimento Estas unidades de consulta estarão inicialmente localizadas em Coimbra, Braga e Vieira do Minho, mas estender-se-ão a outras localidades.

Os contactos para chegar ao atendimento nestes locais são:

Margarida P. Lima – “Consulta Memórias”, FPCE – Universidade Coimbra Tel: 239 851450

Tito Peixoto, Tel. 253649330, Unidade de cuidados continuados de Vieira do Minho

José Ferreira Alves, Tel. 253604245, serviço de consulta psicológica da Universidade do Minho, Braga

Pelo GEAVI

Maria Emília Vergueiro

Marina Temido Melo

Novembro de 2008

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